Irmãos e Irmãs,
Vivemos nesta noite santa o mistério da
encarnação. A liturgia nos demonstra que o centro da celebração desta
venturosa noite é o Evangelho(Lc 2,1-14), com o anúncio do nascimento do
Salvador.
São Lucas esboça a situação histórica: ocupação
romana, recenseamento, viagem de José e Maria para sua cidade de
origem – Belém, cidade de Davi, em circunstâncias dificílimas e com
grandes percalços, o nascimento da criança que é colocada numa
manjedoura, por não haver lugar na hospedaria da cidade. A salvação, a
partir do relato, manifesta-se lá, naquele lugar pobre, reclinado numa
manjedoura.
Os olhos do mundo não poderiam acreditar:
naquele lugar pobre, mas de sincero aconchego, é o Deus forte e
invencível quem se faz humilde como os humildes, pobre como os pobres,
anunciando a salvação e a redenção pela encarnação.
As testemunhas do teatro da encarnação foram
como que escolhidas a dedo pelo anjo do Senhor: os que viviam à margem
da sociedade, os que não eram socialmente identificados: pobres
pastores. Devem procurar o Salvador, cujo sinal de reconhecimento é sua
pobreza, que o identifica com eles: envolto em panos, numa manjedoura.
Para dar sinal de veracidade a todo esse teatro da salvação, os coros
celestes juntam sua voz à do arauto e entoam o portentoso hino: “Glória a Deus nas alturas e paz aos homens de boa vontade”.
Livreto Litúrgico: um subsídio para preparar as Celebrações Dominicais da Palavra de Deus.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
domingo, 25 de novembro de 2012
CELEBRANDO: QUARESMA DE 2013
CELEBRANDO: QUARESMA DE 2013
CONSIDERAÇÕES GERAIS PARA AS EQUIPES DE LITURGIA
CAMPANHA DA FRATERNIDADE
Umas das
grandes preocupações da nossa Igreja é a inserção, a acolhida dos jovens.
Graças a Deus estamos “vivendo uma época muito forte de opção efetiva eclesial
pela juventude” no Brasil. Aliás, nossa Igreja sempre buscou trabalhar junto
aos jovens. Pode ser que houve épocas melhores, mas ainda é tempo de mudanças
necessárias. São desafios para nós, como igreja que somos, defender e promover
a vida para todos, anunciando, denunciando, motivando, agindo de forma
co-responsável... E lembrando que o maior desafio é o combate às drogas,
seguido do enfrentamento da cultura midiática, e dela alcançando proveitos e
interação de pais, filhos, Igreja, escolas, a sociedade enfim, sempre visando
um mundo melhor, com desenvolvimento pessoal, eclesial e social.
Como “voz profética e
transformadora para a vida do povo” a Igreja escolhe o Tema da CF / 2013:
“Fraternidade e Juventude”, e Lema: “Eis-me aqui! Envia-me!”, baseado em Is 6,
8.
Objetivo Geral: “Acolher os jovens no contexto de mudança de época,
propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na
vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na
cultura da vida, da justiça e da paz”.
Objetivos específicos:
1. Propiciar
aos jovens um encontro pessoal com Jesus Cristo a fim de contribuir para sua
vocação de discípulo missionário e para elaboração de seu projeto pessoal de
vida.
2. Possibilitar
aos jovens uma participação ativa na comunidade eclesial, que lhes seja apoio e
sustento em sua caminhada, para que eles possam contribuir com seus dons e
talentos.
3. Sensibilizar
os jovens para serem agentes transformadores da sociedade, protagonistas da
civilização do amor e do bem comum.
O texto base se divide em
quatro partes:
1. Fraternidade e Juventude: impacto da
mudança de época; substituição do papel exercido pelos pais e escolas pelos
meios de comunicação em massa; fragilização dos laços comunitários; banalização
e negação da vida; influência da cultura mediática; redes sociais e riscos da
necessidade de se estar sempre conectado; o desejo das novas gerações em serem
membros ativos na Igreja; formas associativas dos jovens; pluralismo de grupos
entre eles; as desigualdades; políticas públicas para a juventude.
2.
Eis-me
aqui! Envia-me!: jovens nas Sagradas Escrituras; Maria, presença educativa;
jovens na história da Igreja; jovens como seguidores de Cristo; o jovem
discípulo assume a missão; a opção afetiva e efetiva pelos jovens; a presença
da pastoral da juventude no Brasil; protagonismo e compromisso na sociedade dos
jovens.
3.
Abrir-se
de novo / recriar: o sentido da existência e da realidade; as relações
significativas com Deus; as relações afetivas e a vida comunitária; as relações
de gratuidade para uma postura afetivo-construtiva; as relações e compromisso
nessa mudança de época; o dinamismo da transformação da sociedade; relações de
respeito e de integração com o meio ambiente; a razão para além da razão
instrumental. Enfatizar a importância do encontro pessoal do jovem com Cristo,
do estudo do Catecismo da Igreja Católica, do diálogo inter-religioso e do
diálogo entre fé e razão. Uma parte que
oferece, entre outras, pistas para a valorização da família como célula da
sociedade, estudo das artes, análise da conjuntura atual do mundo, realização
de projetos missionários, oficinas para utilização de novas tecnologias, a
participação na Campanha Nacional Contra a Violência...
4.
Gesto
Concreto: doações na Coleta da Solidariedade no Domingo de Ramos, cujos
recursos serão destinados a projetos em benefício aos jovens de nossas
comunidades.
A
realização da Campanha será durante o período da Quaresma, embora os esforços
de todos continuem no sentido de atingir os objetivos propostos. Vamos,
portanto, buscar maneiras de acolher muito bem os jovens, de forma consciente,
afetiva e efetiva, teológica,
inserindo-os na vida comunitária, visando o bem, a sobrevivência de
todos. Eles não formam apenas o presente. São o nosso futuro. A começar, até,
pelas crianças!
O Papa
Bento XVI faz um convite aos jovens: fazerem “bom uso de sua presença no areópago
digital”.
Que em
nossas celebrações façamos bom uso das pistas que a Campanha nos oferece, até
mesmo buscando iluminação no próprio Hino da CF, cantando-o após ou durante a
homilia, ou ainda antes da bênção final... E que o Espírito Santo ilumine a
todos nós.
Pela equipe do Celebrando
Marly Moulin Seibert
Música cantada no encontro dos Leigos Diocese Cachoeiro
Divina Fonte
Luz que vem de Deus
Divina fonte de amor
Cuidou de mim e me amou
e de calor de envolveu!
Levo seu sinal
no mais profundo de mim
é bom viver sendo assim
Abençoado por Deus
Já de manhã cedo ele está
na minha mente e me faz
Pensar na vida e no céu
Mora no meu peito e me diz
que se eu quiser ser feliz
É só viver sem ter véus
Levo bem guradado aqui
O que com ele eu vivi
Lá no começo de mim
Seei que é tão imenso esse som
Que as vezes meu coração
Até duvida de si
Luz que vem de Deus
Divina fonte de amor
Cuidou de mim e me amou
e de calor de envolveu!
Levo seu sinal
no mais profundo de mim
é bom viver sendo assim
Abençoado por Deus
Já de manhã cedo ele está
na minha mente e me faz
Pensar na vida e no céu
Mora no meu peito e me diz
que se eu quiser ser feliz
É só viver sem ter véus
Levo bem guradado aqui
O que com ele eu vivi
Lá no começo de mim
Seei que é tão imenso esse som
Que as vezes meu coração
Até duvida de si
terça-feira, 20 de novembro de 2012
A Juventude e a cultura midiática
A Juventude e a cultura midiática
“Convido sobretudo os jovens a fazerem bom uso da sua presença no areópago digital.” (Bento XVI)
Introdução
De uma maneira ou de outra, a Igreja sempre trabalhou junto aos jovens;
nossa história de evangelização da juventude no Brasil é rica de
propostas e sucessos.
Estamos vivendo numa época muito forte de opção efetiva eclesial pela
juventude em nosso país. A CNBB vem investindo para que todos os jovens a
ela confiados possam encontrar acolhida, espaços, orientação e
motivação. Entre tantos sinais desta opção destacamos: o documento ‘Evangelização da Juventude – desafios e perspectivas pastorais’
aprovado em 2007 e dirigido a todas as expressões de trabalho juvenil; o
incentivo para que se garanta espaço de unidade na instância diocesana
criando o Setor Juventude; o site www.jovensconectados.org.br
organizado em 2010 com jovens voluntários ligados às áreas da
comunicação e vindos de vários cantos do país e expressões de trabalho
juvenil; o pedido oficial feito ao papa em 2007 pela CNBB para que a
Jornada Mundial da Juventude pudesse acontecer no Brasil; a organização
da 1ª.
A missão da Igreja e a CF 2013
A Igreja, ciente do mandato missionário recebido de Jesus Cristo, tem a responsabilidade de defender e de promover
a vida de todos. Neste mundo midiático com esta nova cultura
desafiadora a Igreja é chamada a se posicionar na perspectiva do
anúncio, da denúncia, da motivação, da co-responsabilidade, da
divulgação daquilo que contribui.
A CNBB a partir de sua Campanha da Fraternidade, com o intuito de
ser uma voz profética e transformadora para a vida do povo, escolhe o
tema ‘Juventude’ para 2013 e se posiciona a favor do enfrentamento
deste eixo complexo da cultura midiática: assunto atual e de suma
importância para a Igreja e para a Sociedade.
Ao abordar o tema da Juventude e da cultura midiática na qual ela se faz presente interagindo, a CF 2013 visa tanto os jovens quanto os adultos em seu processo de amadurecimento enquanto cristão e cidadão, ser de relação e chamado à vida plena. Seus objetivos
seriam vários, por exemplo: melhor compreensão das novas tecnologias e
seus efeitos na vida pessoal, eclesial e social; valorização da novidade
que surge e capacitação para utilizá-la eticamente para o bem de todos;
auxiliar os jovens a se conhecerem nesta nova realidade virtual,
criando consciência crítica diante das novas oportunidades e
capacitando-os para o uso adequado das mesmas; provocação aos educadores
eclesiais e sociais da juventude (pais, professores, assessores,
evangelizadores, pastores, catequistas...); como usar as Redes Sociais
para o crescimento pessoal, para evangelização, para as grandes lutas do
povo a favor da vida. Enfim, como conviver com toda esta realidade,
capacitando-nos para um melhor aproveitamento desta novidade em prol da
justiça, da fraternidade, da corresponsabilidade de todos para com todos
na dinâmica de desenvolvimento pessoal, eclesial e social?
“Eis-me aqui, envia-me”
O lema escolhido ressalta o reconhecimento da parte da Igreja do valor
do jovem, provocando neles este compromisso de serem comunicadores da
vida e da verdade que liberta os filhos de Deus de todas as amarras,
escravidões, condicionamentos. O 'eis-me aqui, envia-me’ é a voz
forte do jovem que, repleto de sonhos e com grande auto-estima, se
coloca à disposição para ajudar a todos nós a navegarmos em águas
profundas neste mundo virtual que lhe é caro e próprio.
O jovem tem muito a nos dizer!
Mais do que nunca podemos afirmar: se nossa opção pelos jovens não for consciente, intencional, efetiva, teológica, devemos fazê-la por uma urgente necessidade de sobrevivência! Se aproximarmos este novo
dos jovens com a experiência que o mundo adulto tem, muitas coisas
poderão mudar e melhorar! A Igreja e a Sociedade já estão nas mãos
deles: acolhamos com respeito o que eles têm para nos ensinar! Eles são,
acima de tudo, o presente, chamados a conduzir-nos para um novo tempo.
Em certo sentido nós, adultos, dependemos mais dos jovens do que eles de
nós!
Brasília, 18 de outubro de 2011
Dom Eduardo Pinheiro da Silva, sdb
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Após coletiva de imprensa realizada na tarde de sexta-feira, 26 de outubro, em Vitória (ES), em um apelo contra a violência, clamando por justiça junto aos homens de boa vontade
Carta aos católicos, autoridades constituídas e pessoas de
boa vontade
I“Se eles se calarem, as pedras gritarão”! (Lc 19, 40) Iniciamos esta carta sob a Luz da Palavra de Deus, certos e convictos de que a luz de nosso caminho é a Palavra de Deus (Sl 119,105).
Há algum tempo o Estado do Espírito Santo vem sendo palco de
uma terrível violência. Há ameaças à vida humana em todas as suas etapas. Como
um poderoso “dragão”, impera sobre nós a cultura da violência e da morte. O ser
humano é subjugado desde o seio materno, na infância desnutrida e abandonada,
na adolescência e juventude sem perspectivas, na vida adulta imobilizada pelo
poder do crime, na terceira idade silenciada e desrespeitada, sem paz e sem
direitos.
Nas esquinas de ruas, nas praças e nas estradas os sinais de
violência estão presentes e dizimam o ser humano sem piedade. O povo chora, as
mães gemem de dor, a mídia noticia, as autoridades constituídas procuram soluções
e, a realidade não muda.
Nós, Bispos da Igreja Católica, unidos aos presbíteros,
religiosos(as) e leigos (as) consagrados, sentimos que é preciso fazer eco à
Campanha Nacional da Juventude e dizer publicamente em bom som: Basta!
Diz o Senhor: “não matarás”! (Ex 20,13) “O que eu vos mando
é que vos ameis uns aos outros” (Jo 15, 17)!
Nossa intenção não é propriamente denunciar o pecado
presente na sociedade porque não há necessidade de denúncia ou denuncismo, pois
quem tem olhos para ver enxerga, quem tem coração para sentir sente e chora ou
grita de dor, quem tem fé deplora o pecado mortal e escandaloso diante de
todos.
Antes de tudo, queremos, sim, convocar! Convocar todos os
irmãos e irmãs de fé, todas as pessoas de boa vontade que convivem conosco na
sociedade, seja esta agnóstica, seja qual for a crença destas pessoas, pois
acreditamos na sinceridade do ser humano, sedento de paz e felicidade, e,
sentimo-nos, com elas, companheiros na via da verdade, da sinceridade, da
justiça e da paz!
Para que todos se convençam da urgência de novas atitudes em
todos os setores da sociedade tomamos a liberdade de pontuar, com base em dados
apurados em levantamentos sérios, alguns aspectos da realidade de violência,
para lembrar que, o grito que a juventude faz ecoar, em sua própria defesa, é
um grito de toda a sociedade, que junto com ela é vítima da mesma violência. O
grito da juventude é, também, o grito da sociedade do Estado do Espírito Santo.
Antes, porém, fazemos nossas interrogações: por que tanta
violência? Quais as causas destas violências, desta cultura de violência e
morte? Não pretendemos abordar cientificamente todas as variantes deste grande
problema social. Estamos convictos de que não se trata de um problema surgido
na última década. Os sociólogos saberão, certamente, indicar com espírito mais
científico, as causas principais do problema. Porém, nosso olhar de fé, faz-nos
ver causas que, talvez, outros ainda não observaram. Sabemos que a perda de
valores e de responsabilidade de uns com os outros tem, também, suas raízes
ideológicas em um tipo de poder que pretende ‘empobrecer’ e dominar os mais
fracos, aproveitando-se das fragilidades de cada tempo.
Herdamos da Europa uma religiosidade Ibérica que por longo
tempo separou a Fé da Vida. Ao fazer esforços para superar esta dicotomia, a
Igreja foi criticada e sofreu duras perseguições. Com os documentos pastorais
de Medellín e Puebla, as Comunidades Eclesiais de Base, fortaleceram-se na fé,
embora, em alguns momentos tivessem, também, uma participação mais ideológica e
até partidária. Hoje, a Igreja continua sua missão de unir Fé e Vida com elas e
através delas, missão assumida com o Plano de Emergência, preparado pelo
episcopado brasileiro a pedido de Sua Santidade o Papa João XXIII.
Contraposto a este trabalho, nos últimos quarenta anos,
entrou na América Latina uma pregação religiosa diferente. Grupos religiosos,
que passaram a fazer uso da fé e da religião como negócio, retirando toda a
força profética do Evangelho. Esta linha de trabalho religioso, proveniente do
hemisfério Norte, carrega um forte lastro ideológico e materialista com um
discurso religioso diferente, desligado da vida e com respostas imediatistas
que confundem o povo, sobretudo os mais empobrecidos e, acomodam as
consciências no campo da justiça social. Porém, trouxe de alguma forma, uma
resposta ao desejo verdadeiro de todos de uma vida espiritual. Esses grupos
propõem a religião como projeto político, negócio e lucro. Assim, distanciam as
pessoas de Deus, sentido profundo de vida e de salvação. Esse distanciamento de
Deus está levando a sociedade para a indiferença, a descrença em valores, o
desprezo pela ética, a desilusão do ateísmo prático e desesperador. Neste
contexto a violência ganha espaço e aumenta cada dia.
II
Os números da violência são divulgados frequentemente, mas é
importante lembrar que, esses ‘números’ referem-se a pessoas: crianças,
adolescentes, jovens, mulheres e idosos.
Os últimos dados divulgados em 2012 apontam o Espírito Santo
nas primeiras posições seja qual for o tipo de violência:
• Violência – 1º lugar
• Violência contra a mulher – 4º lugar
• Homicídios entre crianças e jovens de zero a 19 anos – 2º
lugar.
• Violência contra os idosos – somente em Vitória a média é
de 1 denúncia por dia.
• Entre os municípios mais violentos do Brasil o Espírito
Santo, com apenas 78 municípios, tem 8 nas seguintes posições: 2º (Serra); 8º
(Cariacica); 11º (Vitória); 12º (Linhares); 31º (Viana); 32º (Vila Velha); 40º
(Guarapari); 59º (São Mateus).
Em números absolutos, no ano de 2011, o Estado do Espírito
Santo registrou 1.725 homicídios, sendo 899 jovens entre 15 e 29 anos.
Os dados são do Instituto Sangari; Unicef; Ministério da
Justiça; NEVI, Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão sobre Violência, Segurança
Pública e Direitos Humanos; CEMAS, Centros Municipais de Assistência Social, e
Mapa da Violência 2012.
III
Os dados acima referidos ajudam-nos a firmar nossa convicção
de que não podemos ficar calados. Cientes de nossa responsabilidade moral como
líderes de uma porção de habitantes deste Estado, julgamos oportuno convocar
todos os irmãos na fé e, apelamos às autoridades constituídas e pessoas de boa
vontade, para juntos buscarmos soluções possíveis para dar impulso a um
processo de superação destes desafios humanos que se apresentam desumanos aos
nossos olhos.
Por isso, convocamos todos, especialmente a juventude
protagonista na luta pela paz, com seu grito “basta de violência”, a buscar um
Estado pacífico, progressista e portador de valores, compromissos éticos,
morais e cristãos. O Estado do Espírito Santo em sua história não pode perder a
sua tradição de cultura cristã que vem cultivando desde o seu início quando,
ainda, capitania, o Bem Aventurado padre José de Anchieta, deixou sua marca de
fé integradora em nossa história.
Aqui recordamos os Ensinamentos da Doutrina Social da
Igreja, que se preocupa com a centralidade da pessoa vocacionada como
colaboradora do Criador na construção de um mundo segundo os desígnios de Deus,
cujo Verbo pronunciou toda a criação.
Estes Princípios, Dignidade da Pessoa, Bem Comum,
Solidariedade e Subsidiariedade, orientam o comportamento, as relações humanas
e a convivência social.
IV
Os mesmos Princípios impelem-nos a assumir atitudes novas e
Políticas Públicas corretas que levem em consideração todas as etapas da vida
humana que se encontra violentada. Cada um com sua competência, responsabilidade,
função e missão. Precisamos voltar nossa atenção e nossas ações para:
1. O cuidado especial com a família
2. O cuidado com os direitos do nascituro
3. O cuidado com a infância respeitando os direitos de
educação para o amor, para o respeito e para a paz
4. O cuidado e atenção com os adolescentes e a juventude nos
seus direitos de cidadania e participação na vida do município, direitos de
educação plena, com valores e conceitos positivos do ser humano sujeito da
história. Aqui apontamos o grande valor da escola, onde o corpo docente assume
a responsabilidade da educação moral pelo testemunho e convicção de uma
sociedade justa e fraterna, onde Deus deve ocupar o lugar central como luz que
ilumina nossos passos.
5. O cuidado com a mulher, seja enquanto sujeito de ternura,
seja no exercício de seus plenos direitos igualitários e respeito, na sua
formação de portadora de valores perenes de vida.
6. O cuidado com idoso em seus direitos à vida, ao descanso
e ao respeito amoroso de sua família e da sociedade.
Como sugestões de ações a realizar, pode ser consultado o
Manual da Campanha da Fraternidade de 2009, que teve como Tema: Fraternidade e
Segurança Pública e como Lema: A paz é fruto da justiça (Is 32, 17), nas
páginas 297 e 298.
Os Ensinamentos da Doutrina Social assimilados pelas pessoas
e orientando as decisões políticas podem transformar a cultura de morte em
cultura de vida e o estado violento em estado de paz e feliz convivência.
Neste ano que dedicamos à fé, reafirmamos a suma importância
da integração Fé e Vida “Meus irmãos, a fé que tendes em Nosso Senhor
glorificado não deve admitir acepção de pessoas [...] Que adianta alguém dizer
que tem fé, quando não a põe em prática?” (Tg 2, 1 e, 14).
Conclamamos, todos os líderes cristãos, a priorizar os
valores fundamentais da vida humana na missão de construtores da sociedade, em
todos os ambientes de vida, bem como no exercício das profissões ou serviços
que prestam como cidadãos no mundo onde habitamos, certos de que um dia Deus
enxugará as lágrimas de nossos olhos, tendo em vista nossa contribuição pessoal
e coletiva.
Que este nosso esforço seja abençoado pela Mãe de Jesus e
nossa Mãe, cujos títulos tocam o nosso coração: Nossa Senhora da Imaculada
Conceição, Nossa Senhora do Amparo, Nossa Senhora da Saúde, Nossa Senhora da
Vitória e Nossa Senhora das Alegrias, a Virgem da Penha, que é, também, Nossa
Senhora da Paz!
Deus abençoe a todos.
Dom Luiz Mancilha Vilela, SSCC - Arcebispo Metropolitano de
Vitória
Dom Dario Campos - Bispo
da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim
Dom Décio Zandonade -
Bispo da Diocese de Colatina
Dom Zanoni Demetino de Castro - Bispo da Diocese de S. Mateus
Dom Rubens Sevilha - Bispo
Auxiliar da Arquidiocese de Vitória
Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias - Bispo Auxiliar da
Arquidiocese de Vitória
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